quarta-feira, 7 de maio de 2014

Disfunções Miccionais na Infância

Mães, pais e cuidadores, fiquem atentos, o fato da sua criança "fazer xixi na calça" pode ir muito além do que você imagina. 

A fisioterapeuta do Hospital das Clínicas e do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, Patricia Batista, explica um pouco sobre as disfunções miccionais encontradas durante a infância. 

"O controle miccional, ou seja, a capacidade de controlar o momento em que se deve/pode urinar, é comandado pelo sistema nervoso e geralmente é adquirido entre os 2 a 4 anos de idade. As disfunções miccionais da infância acometem meninos e meninas sem qualquer distúrbio neurológico, principalmente entre os 3 e 7 anos de idade. 

As disfunções miccionais representam uma alteração nas fases de armazenamento vesical(quando a urina é produzida e começa a ser armazenada na bexiga) e/ou de esvaziamento vesical (quando a urina é eliminada). 

A alteração da fase de armazenamento é classificada como hiperatividade vesical, apresentando sintomas como urgência miccional (desejo súbito e incontrolável de urinar), associada ou não a incontinência urinária (quando ocorre a perda de xixi).

Nas alterações da fase de esvaziamento, as crianças apresentam dificuldade em relaxar a musculatura do assoalho pélvico (musculatura responsável por conter a urina e fezes), caracterizando uma incoordenação miccional. Essas crianças podem apresentar sintomas de incontinência urinária diurna (perda de urina durante o dia) e enurese noturna (perda de urina durante o sono). Essas estão geralmente relacionadas a infecções do trato urinário e a encoprese (perda de fezes associada a constipação).

Podemos citar ainda as crianças postergadoras, que são aquelas que adiam a micção frente a uma situação específica, em geral, quando estão envolvidas em alguma atividade como brincar ou assistir televisão. Essas crianças geralmente adotam manobras de contenção como a postura de cócoras, cruzar as pernas ou segurar a região genital, na tentativa de "segurar o xixi".


A fisioterapia pode atuar no tratamento destas disfunções através da terapia comportamental (orientação em relação a hábitos e comportamentos), eletroestimulação como forma de inibição da contração vesical, a eletroestimulação, biofeedbeck e/ou exercícios para a musculatura do assoalho pélvico, além da associação com exercícios respiratórios e posturais. 

Segue abaixo algumas orientações:
- Manter uma dieta rica em fibras e ingesta adequada de líquidos;
- Não inibir o desejo miccional e/ou evacuatório;
- Não reter a urina nos momentos de urgência;
- Não ter pressa para urinar/evacuar;
- Adotar uma postura adequada para urinar/evacuar (com inclinação de tronco para frente e pés apoiados).
- Diminuir a circunferência do assento sanitário para que a criança se sinta segura e confortável na hora de urinar;
- Orientar os demais cuidadores da criança (escola, parentes, babás)."

Procure um fisioterapeuta especializado.


Drª Mayara Florençano Mendes

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